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"Não vamos deixar a impunidade vencer", diz Maíra Vida sobre novas formas de antissemitismo

A presidente da Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa foi a entrevistada do OAB no Rádio desta quinta (11)

O OAB na Rádio fez uma viagem histórica ao falar sobre antissemitismo nesta quinta-feira (11). O tema foi abordado pela presidente da Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa, Maíra Vida.

O OAB no Rádio é realizado em parceria da Rádio ALBA, a Seccional baiana e Fundação Paulo Jackson, e vai ao ar na Rádio ALBA e no Instagram da OAB-BA.

Segundo Maíra, o antissemitismo foi criado a partir de um estereótipo do povo judeu, que o associou à avareza e deslealdade e trouxe reflexos para hierarquia social.

"Além de não corresponderem à realidade, essas classificações sociais acabaram criando caixas de hierarquização, com alguns grupos sociais sujeitos a mais riscos sociais do que outros. Por estarem ligadas à raça judaica, essas classificações foram associadas a racismo religioso", explicou.

Ainda sobre a origem do antissemitismo, Maíra explicou que ele surgiu como forma de coibir marcadores de identidade, diante da chegada dos judeus ao continente europeu. 

"Quando os judeus migraram para a Europa, eles já possuíam sua identidade. Houve, então, uma tentativa de eliminar suas peculiaridades religiosas, seus marcadores de identidade, que colocavam em risco o conceito de autonomia nacional", pontuou.

Maíra também falou que o antissemitismo se reinventou com o tempo e que, hoje, se manifesta sob outras formas. "De 2.000 pra cá, tivemos inúmeros casos de atentados violentos e depredação a sinagogas e escolas judias. Há, também, uma crescente no século XX, que tentar dar novas versões ao que aconteceu no Holocausto, seja para negá-lo ou justificá-lo", disse.

Para os que pregam o antissemitismo e negam o Holocausto, a advogada lembra que a Lei 7716/89, que criminaliza o preconceito de raça ou de cor, em seu artigo 20, define como crime não só a prática, mas "a incitação e indução à discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".  

Um exemplo de crime, segundo Maíra, foi proferido pelo STF ao autor Siegfried Ellwanger, que, na obra "Holocausto: Judeu ou Alemão - Nos Bastidores da Mentira do Século", rechaçou a morte de 6 milhões de judeus na 2ª Guerra Mundial". "É bom ressaltar que ele não foi condenado por crime religioso, mas por racismo", destacou.

Maíra disse, por fim, que o conhecimento e o resgate histórico são fundamentais para a ressignificação positiva de um povo e encorajou o combate ao racismo e à intolerância religiosa. "Denunciem. Disquem 100. Baixem o Mapa do Racismo e Intolerância Religiosa. Não vamos deixar a impunidade vencer", concluiu.