Publicada em 05/12/2017

"Queremos ser reconhecidas pela nossa competência, inteligência e trabalho", afirma Andrea Marques

Seccional

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-BA, Andrea Marques, destacou os avanços femininos na advocacia brasileira ao longo dessas mais de oito décadas de existência da OAB. Para Andrea, a XXIII Conferência Nacional foi um bom exemplo desta valorização profissional.

"O próprio nome Conferência Nacional da Advocacia Brasileira já é uma conquista das advogadas desta gestão. Até a 22ª edição, era Conferência Nacional dos Advogados. E a linguagem é um fator extremamente importante de inclusão", afirmou.

Ela destacou ainda que o tema do evento - defesa dos direitos fundamentais, pilares da democracia e conquista da cidadania - foi outro ponto de inclusão, uma vez que essa matriz abarca temas relevantes para o debate de gênero. "Temos as questões envolvendo as profissionais negras, que foi foco de debate com grandes palestrantes nos painéis da advocacia feminina", ressaltou.

Apesar dos avanços, Andrea reconhece que muito ainda precisa ser feito para que as mulheres sejam tratadas em patamar de igualdade com os homens. Ela conta que o Movimento Mais Mulheres na OAB quer acabar com a divisão que põe as mulheres como seres frágeis e sensíveis e os homens como fortes. 

"Diferente do que falaram alguns advogados durante a Conferência, o Mais Mulheres na OAB não se trata de trazer sensibilidade à Ordem. Nós queremos ser reconhecidas pela nossa competência, inteligência e trabalho primorozo na nossa profissão", afirmou.

Primeiros passos
De acordo com Andrea, nessa conferência as advogadas mostraram uma força valorativa inigualável ao participarem ativamente dos painéis tanto como conferencista como presidindo mesas. Ela relembra que no evento anterior, realizado no Rio de Janeiro, foi plantada uma semente que culminou com a aprovação do Plano da Mulher Advogada, em 2015.

"No ano seguinte, fizemos com que fosse o Ano da Mulher Advogada. Então essa atual gestão, que começou em 2016, iniciou com esse marco", disse. Há, segundo ela, ainda a necessidade de inserir a diversidade no sistema OAB. "É preciso trazer mais a pluralidade de gênero. Temos que dar um basta na homofobia, no machismo, na misoginia e no racismo".

Advogadas no esporte
As mulheres advogadas estão buscando caminhar, ou melhor correr, também no esporte. Ao longo da sua participação na XXIII Conferência Nacional, Andrea Marques, que também é presidente do Oxente FC, 1º time feminino de Fut7 da OAB-BA, defendeu mais espaço para as mulheres advogadas dentro das quatro linhas.   

"Foi importante falar sobre o esporte feminino e pedir que na próxima conferência se aborde mais o assunto. Afinal de contas, a mulher brasileira já provou o quanto é boa no futebol com a Marta eleita nove vezes a melhor do mundo. Provamos que sabemos jogar bola e queremos que o machismo acabe na prática", afirmou.

Dentre as propostas da Drª Andrea, ela quer mais horários para treinamentos, mais jogos dentro da OAB e mais incentivo para ingresso de advogadas no esporte. "É importante que a OAB incentive o esporte, a exemplo do que está fazendo nessa gestão a OAB-BA e a CAAB".

Medalha Ruy Barbosa
Andrea destacou a entrega da medalha Ruy Barbosa à Cléa Carpi, primeira mulher a receber a condecoração. Cléa é conselheira federal pela OAB-RS e foi a primeira advogada a assumir a presidência da seccional gaúcha. Em seu currículo, a homenageada tem participação como observadora de conferências da ONU em Beijing, Istambul e no Cairo. 

Drª Cléa é ainda especializada em direitos humanos, atuou na luta pelo Estado Democrático de Direito e no processo de redemocratização do Brasil nos movimentos Diretas Já e pela anistia. "Em seu testemunho, ela contou como foi difícil seus primeiros passos na advocacia pelo fato de ser mulher", relembrou Andrea.

O que vem por aí
Para as próximas conferências, Andrea espera que as mulheres advogadas se fortaleçam no papel de protagonistas da advocacia e que a presença delas não fique restrita aos painéis sobre diferenças de gênero. "Vamos falar de violência porque ainda somos obrigadas a falar de feminicídio e questões que não deveríamos mais falar, visto que a igualdade ainda não é uma realidade no Brasil".

Ela deseja que as mulheres advogadas sejam escaladas para participarem dos debates que interessam a toda classe, como as mesas que discutem gestão de escritórios, arbitragem, direito penal, tributário e demais assuntos relevantes para a advocacia.

Andrea conclui dizendo que espera que a força do feminismo desperte verdadeiramente em todas as mulheres e que a classe operadora do direito como um todo, sobretudo os homens, possam refletir sobre o papel que cada um vem fazendo para combater as diferentes formas de preconceito. 

"Quero que as advogadas estudem mais sobre gênero, história das mulheres para entenderem que a nossa luta não é em vão. Vamos parar e entender que esse sistema patriarcal, homofóbico e racista sempre nos oprimiu. Ele é uma realidade social. Precisamos enxergar o quanto temos de homofobia, racismo, machismo e misoginia dentro de nós mesmos".

Foto: Angelino de Jesus (OAB-BA)

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