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Fala OAB debate impactos da inteligência artificial na advocacia

Episódio reúne orientações sobre uso ético e responsável da tecnologia, além de discutir riscos, governança e novas oportunidades para a profissão

01/09/2026
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Os impactos da inteligência artificial (IA) na advocacia foram tema do novo episódio do “Fala OAB, a voz das Comissões”, podcast da OAB Bahia. Apresentado pela coordenadora-geral das Comissões da OAB-BA, Larissa Sento Sé, o programa recebeu a presidente da Comissão de Inteligência Artificial da Seccional, Maria Clara Seixas, para discutir os desafios e as possibilidades trazidos pela tecnologia para o exercício profissional. O podcast está disponível, esta quarta-feira (1º), no Spotify e no YouTube da OAB-BA.

Durante a conversa, foram abordados temas como uso responsável da inteligência artificial, ética, proteção de dados, governança, capacitação, vieses algorítmicos e segurança no emprego das ferramentas. A presidente da Comissão de Inteligência Artificial destacou que a atuação do colegiado está concentrada principalmente na educação e na capacitação da advocacia.

Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de que a adoção da inteligência artificial seja acompanhada de uma estratégia de gestão. Antes de incorporar uma ferramenta aos processos de trabalho, é necessário organizar dados, fluxos e procedimentos, além de preparar as equipes para sua utilização. A tecnologia, nesse sentido, deve estar integrada à estrutura do escritório ou da organização, e não ser utilizada como uma solução isolada.

A governança também foi apontada como fundamental. A utilização profissional da IA exige definição de políticas, orientação sobre quais informações podem ser inseridas nas ferramentas e acompanhamento contínuo do seu uso. A capacitação das equipes é considerada essencial para que a tecnologia seja utilizada de maneira crítica, com revisão e conferência dos resultados produzidos.

Outro assunto abordado foi o prompt injection, mecanismo que pode inserir instruções ocultas em documentos, imagens, vídeos ou outros materiais submetidos a sistemas de inteligência artificial. A técnica pode ser utilizada para tentar influenciar ou manipular a resposta produzida pela ferramenta. O episódio destacou a importância de mecanismos de filtragem, treinamento e revisão para reduzir os riscos relacionados a esse tipo de situação.

A conversa também tratou dos vieses algorítmicos, que podem levar sistemas de inteligência artificial a reproduzir tendências presentes nos dados utilizados para seu desenvolvimento. Na área jurídica, a preocupação envolve a possibilidade de resultados que não considerem adequadamente as particularidades de determinados casos ou contextos. Por isso, a utilização da tecnologia deve ser acompanhada de análise crítica e supervisão humana.

Outro desafio discutido foi o acesso desigual às ferramentas. Diferenças financeiras, de familiaridade e de capacitação podem fazer com que a inteligência artificial não esteja disponível ou seja utilizada da mesma maneira por todos os profissionais. Nesse cenário, o investimento em formação e o acesso a cursos gratuitos ou de baixo custo são apontados como caminhos para reduzir essas diferenças.

O episódio também discutiu os efeitos da IA sobre a formação profissional. A avaliação apresentada durante o programa é de que a tecnologia não deve substituir o desenvolvimento das habilidades técnicas, mas ser utilizada para ampliar a capacidade de trabalho. A conversa destacou ainda novas possibilidades de atuação proporcionadas pela inteligência artificial, incluindo a produção de apresentações, treinamentos e conteúdos em diferentes formatos. Para a advocacia, a tecnologia pode representar não apenas ganho de produtividade, mas também a necessidade de desenvolvimento de novas competências e de uma atuação cada vez mais estratégica.

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