OAB Bahia
OuvidoriaCanais de Atendimento

Notícias

2 de Julho: OAB-BA reúne especialistas para debater democracia, luta popular e direito ao bem viver

Encontro promovendo reflexões sobre o protagonismo histórico na Independência da Bahia

23/07/2026
imagem

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB-BA) realizou a roda de conversa "2 de Julho: Democracia, luta popular e direito de bem viver". O encontro, no Auditório Teixeira de Freitas, na sede da instituição, reuniu historiadores, pesquisadores e juristas para discutir o impacto da Independência da Bahia na construção da cidadania e na garantia de direitos no cenário contemporâneo.

A abertura do evento contou com a presença da presidente da OAB-BA, Daniela Borges, que ressaltou a relevância de resgatar as lutas populares do 2 de Julho para pensar os rumos da advocacia e do Estado Democrático de Direito. "Celebrar o 2 de Julho na Casa da Advocacia é reafirmar que a história do nosso estado foi escrita com a força e a coragem do povo baiano. A Bahia é diferente porque somos herdeiras da história de Maria Quitéria, de Joana Angélica, de Maria Felipa. Não duvidem o quanto isso nos fortalece dentro dessa trajetória e nos faz ver o mundo a partir de outra perspectiva. Espero que a gente possa seguir honrando essa história, cada um de nós no nosso universo individual e nos espaços em que a gente ocupa. Que a gente possa olhar para essa história e nos percebermos como agente de transformação no presente. ", destacou Daniela Borges.

A dimensão cultural e histórica do evento ganhou ainda mais força com a participação especial do Coral da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (Caab), que emocionou o público com interpretações de hinos e canções marcantes da Bahia, e do tradicional bloco afoxé Filhos do Congo, que trouxe a musicalidade e a ancestralidade negra para o centro das celebrações.

Mediadora da mesa de debates, a secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, destacou o papel institucional da Ordem em manter vivas as pautas que ligam a memória social aos direitos fundamentais. "O 2 de Julho não é apenas um marco do passado, mas uma chama acesa que nos convoca diariamente à defesa da ordem democrática. Ao reunirmos vozes tão plurais para refletir sobre a luta popular e o bem viver, a OAB Bahia cumpre o seu papel de ser a casa da cidadania, reafirmando que a verdadeira independência só se consolida com justiça social, equidade e respeito às nossas memórias", afirmou Cléia Costa.

Intolerância e lições do passado

O historiador e documentarista Manoel Neto, coordenador do Centro de Estudos Euclydes da Cunha (Ceec/Uneb) e membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), abriu as exposições com o tema "Canudos, a intolerância como ameaça à democracia". Em sua fala, o pesquisador traçou paralelos entre a repressão aos movimentos populares do passado e os discursos de ódio atuais. "A história de Canudos nos mostra o perigo devastador da intolerância quando ela é institucionalizada para sufocar a organização popular. Compreender o 2 de Julho e seus desdobramentos é perceber que a democracia é um exercício diário de alteridade. Quando violentamos as vozes sertanejas ou periféricas, estamos minando os pilares do próprio Estado Democrático de Direito", ressaltou Manoel Neto.

A advogada e ativista do Instituto Odara, Bianca Souza, assistente jurídica do projeto Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar, trouxe ao debate o conceito de "Direito de bem viver", relacionando a luta histórica das mulheres negras à violência de Estado e à busca por reparação. "Falar sobre o direito de bem viver é exigir garantias básicas de vida para a população negra e periférica, que historicamente sustentou as lutas por libertação no Brasil e continua enfrentando o peso da desproteção estatal. Não há democracia real enquanto mães negras continuarem chorando a perda de seus filhos. O bem viver é um projeto de sociedade que exige justiça, reparação e a construção de um sistema de direito verdadeiramente antirracista", defendeu Bianca Souza.

O protagonismo dos povos originários na consolidação da independência foi o foco da palestra do professor Francisco Cancela, doutor em História Social e docente da Uneb. O historiador destacou a urgência de reescrever a narrativa histórica nacional a partir de uma perspectiva inclusiva. "Os povos indígenas não foram meros coadjuvantes ou 'caboclos' alegóricos na Guerra da Independência; foram agentes políticos decisivos que lutaram por liberdade, territorialidade e cidadania. Reconhecer esse protagonismo é um dever histórico e jurídico para fundamentar as lutas presentes dos povos originários por seus direitos constitucionais e por sua soberania", pontuou Francisco Cancela.

Fechando as exposições, a professora e pesquisadora Magaly Menezes abordou as conexões entre educação, formação cidadã e democracia. "A construção de uma sociedade comprometida com o bem viver passa inevitavelmente por uma educação libertadora e crítica. A escola e a universidade precisam ser espaços de letramento democrático e de combate às desigualdades, capacitando as novas gerações a reconhecerem a memória do 2 de Julho como uma ferramenta viva de transformação social", concluiu Magaly Menezes.

 

Crédito: Angelino de Jesus

 

Últimas notícias

Ver todas